Questões bilaterais na mesa

Fotografia: AFP

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O Presidente José Eduardo dos Santos começa hoje uma visita oficial de 24 horas à República Democrática do Congo (RDC), com o objectivo de reforçar as relações bilaterais e de cooperação.

Um comunicado do Ministério das Relações Exteriores informa que durante a visita, os Presidentes de Angola e da RDC vão avaliar o nível de cooperação existente, tendo em conta os interesses comuns entre os dois países.
Durante a visita devem ser rubricados acordos de cooperação no domínio dos transportes ferroviários, fluviais, rodoviários transfronteiriços e para operação de serviços aéreos. Estes são importantes meios de promoção e preservação da amizade, compreensão e cooperação entre os povos dos dois países.
Os dois estadistas abordam também questões ligadas ao projecto da Barragem Hidroeléctrica do Inga, localizada na província de Matadi, sede da região do Baixo-Congo, República Democrática do Congo, e que se estima vir a ser a maior do mundo, com uma capacidade instalada actualmente de 100 mil megawatts. Neste momento, o empreendimento está a ser apenas explorado na ordem de 44 mil megawatts. Os outros 56 são repartidos para projectos solicitados por outros países, alguns da África Austral.
Angola e a República Democrática do Congo partilham uma longa fronteira fluvial e terrestre e a assinatura destes acordos vai reforçar as relações económicas e comerciais entre os dois países, facilitando o trânsito e o transporte de passageiros e de mercadoria entre si, bem como assegurar o livre fluxo de passageiros e de mercadorias dentro dos seus respectivos territórios. No domínio do transporte aéreo, a assinatura do acordo para operação de serviços aéreos entre e para além dos respectivos territórios vai permitir companhia de bandeira angolana TAAG retomar os voos entre Luanda e Kinshasa e vice-versa, interrompidos há mais de três anos.
Com uma superfície de aproximadamente 2.345.000 quilómetros quadrados, a República Democrática do Congo está situada a norte e leste de Angola. A visita de trabalho do Presidente angolano tem lugar numa altura em que a comunidade internacional está a mobilizar-se para pôr fim à situação de crise no leste da República Democrática do Congo, semanas depois de terminar o prazo dado aos rebeldes das Forças Democráticas para a Libertação do Ruanda (FDRL), que ainda actuam na região, para conclusão do desarmamento voluntário. Além de partilhar uma extensa fronteira comum, Angola e República Democrática do Congo são membros de organizações internacionais regionais, como a Comunidade de Desenvolvimento dos Países da África Austral (SADC), Comissão do Golfo da Guiné (CGG), Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) e Conferência Internacional para a Região dos Grandes Lagos (CIRGL).
Angola, desde Janeiro de 2014, detém a presidência rotativa da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos (CIRGL), da qual a República Democrática do Congo é um dos membros da organização regional, que defende o diálogo, a cooperação, a estabilidade, o desenvolvimento e o bem-estar para os seus povos.
A paz, estabilidade e o desenvolvimento nas regiões a que Angola pertence, e no continente africano, continua a ser uma das prioridades da política externa angolana, assente nos princípios internacionalmente aceites, no respeito pela soberania, igualdade e integridade territorial dos Estados membros, bem como de uma cooperação reciprocamente vantajosa.

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